A história desta fotografia
01/12/2009
O meu coração aperta. Mesmo todo o meu interior contrai-se com desgosto. A primeira vez que fui ao local, 1 mês depois do fogo de Setembro, não se ouvia nada. Havia uns pequenos sinais de vida, que por milagre se tinha mantido guardada nas raízes, furando agora por entre a negrura da Morte que chegara pelo fogo. A floresta, para mim sinónimo de fonte da Vida, havia sido devastada. Alguns esqueletos permanecem em pé, em género de lápides de um enterro ironicamente estático. Esqueletos de carvalhos belos, de uns 50 anos, antes cheios de vigor. Outros de castanheiros centenários, terminados por este fogo especialmente arrasador. E eu, sem abarcar tamanha História de existência, chegava ali tarde de mais. Agora tenho que o fotografar para contar a história.