. . . .
. . . .
. . . .
. . . .
A história desta fotografia
01/12/2009
O meu coração aperta. Mesmo todo o meu interior contrai-se com desgosto. A primeira vez que fui ao local, 1 mês depois do fogo de Setembro, não se ouvia nada. Havia uns pequenos sinais de vida, que por milagre se tinha mantido guardada nas raízes, furando agora por entre a negrura da Morte que chegara pelo fogo. A floresta, para mim sinónimo de fonte da Vida, havia sido devastada. Alguns esqueletos permanecem em pé, em género de lápides de um enterro ironicamente estático. Esqueletos de carvalhos belos, de uns 50 anos, antes cheios de vigor. Outros de castanheiros centenários, terminados por este fogo especialmente arrasador. E eu, sem abarcar tamanha História de existência, chegava ali tarde de mais. Agora tenho que o fotografar para contar a história.
Questões técnicas
01/12/2009
Foi registada com DSLR, Nikon D700, teleobjectiva Nikon 80-200mm f/2.8 AF-D (a 200mm), com a abertura máxima, ISO 800 e 1/350s e sem tripé. A resultante curta distância focal concentra a focagem e atenção visual nas novas folhas verdes do carvalho, bem focadas. Em composição, não teve quaisquer cortes. Submeti o original em RAW a ajustes de níveis e de contraste. Com a intenção de visualmente transparecer o que naqueles momentos sentia, acrescentei-lhe uma vinhetagem, para reduzir a exposição nos bordos.
Opinião crítica
01/12/2009
É cheia de carga, visual e simbólica. Visualmente: quase que se limita a 2 cores, verde e negro; no fundo creme há umas linhas de outras árvores; depois, o olhar parte para a textura dos troncos, num V visualmente eficaz. A simbologia virá da moldura em V em volta das folhas verdes, como uma protecção da singela vida que aí vem. Está patente uma luta entre Vida e Morte.
Mas a fotografia também carrega uma força sobre o contexto e local onde foi registada - num Parque do qual só se costuma mostrar os musgos ou folhas douradas; mas um Parque que tem que evoluir dos erros passados! Em nome das nossas árvores, das mais novas às que ali haviam nascido na altura dos gloriosos Descobrimentos, e vivido até Set/2009.

Onde a colocar
01/12/2009
Tenho um problema...porque a minha relação com o assunto e com esta fotografia não é pacífica. Para mim, como autor do olhar que a registou, é sinónima de tristeza e de desilusão, mas também é de activismo positivamente saudável em favor da floresta. Primeiramente, dir-se-ia que é uma fotografia para não mostrar. Mas, de facto, é preciso mostrá-la como peça motora de acção positiva. Por isto, não a vejo como uma simples peça decorativa.
Para além de uma exposição, ou de uma revista, ou de um site, uma colocação numa parede terá que ser por uma razão muito forte e rara.
Que me desculpem, mas sempre tenho uma palavra a dizer sobre isto, como autor.

Dezembro 2009
Alma Lux Photographia
Música de Fabrício Cordeiro, Projecto Moustache
ENGLISH / PORTUGUÊS
Página anterior
Página seguinte
zOOm Magazine