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A história desta fotografia
01/11/2008
No final de um bom dia de caminhada e de fotografia, a luz poisava, tranquila na paisagem. Depois de ter caminhado, sem deixar nada mais do que pegadas, pela zona de floresta que mais tenho apreciado, volto para o carro. Olhando para trás, vejo os magníficos vales, desde o rio. Há uma nova ponte, com madeira esplêndida, como que dando a ideia que faz parte da floresta. Páro. Tiro máquina, mudo de lente. Tinha que ser rápido, porque a luz não iria durar muito. Mesmo sem tripé, disparo. Estou na ponte, no silêncio do vale acima das águas turbulentas. O sol põe-se e a boa luz vai. A fotografia fica, com uma história.
Questões técnicas
01/11/2008
É tirada com máquina reflex digital. A lente de 12mm, equivalente a uma distância focal de 18mm em película de 35mm, foi fundamental na construção da composição. Foi feito bracketing, com sete exposições, combinando-as em HDR, em pós-processamento. Não usando tripé, foi fundamental manter a máquina estática.
De facto, esta fotografia poderia ter resultado de uma exposição em película, usando polarizador e um filtro neutro graduado. Poderia ter que usar o tripé. Teria demorado muito mais para montar tudo, enquanto a luz surpreendente do momento não espera. Resultou numa fotografia que não imprimo tão grande como outras.

Opinião crítica
01/11/2008
Em termos de composição, absorve o olhar: as linhas de força, linhas de fuga, direitas ou em arco, dão extrema noção de perspectiva. A distorção introduzida pela lente realça este efeito, sem contudo ter deformado demasiado as linhas direitas. Ao mesmo tempo, as linhas da ponte como que servem de moldura para um fundo rico em textura, cor, geografia e floresta. Há uma combinação invulgar, também pela composição, entre o natural e o artificial, a floresta e a madeira da ponte, com uns pontos de modernidade introduzidos pelos parafusos. A luz é magnífica, tendo o HDR aproximado o que de facto os meus olhos viram, no momento. Pelo processamento e pela base, mesmo em RAW, não permite grandes impressões.
Onde a colocar
01/11/2008
Bem...com sinceridade, mesmo que a fotografia seja muito boa, não a vejo numa parede para servir de decoração. Parece-me mais ser colocada onde possa promover algo, desde o local onde foi tirada, a combinação mais filosófica entre o natural e o artificial, o belo que desta combinação pode surgir, a arquitectura na paisagem. Se for num escritório de trabalhos em construção ou arquitectura, caberá lindamente, a meu simples ver. Numa agência de viagens, também. Numa parede que aluda a um parque natural onde se pretenda manter uma componente humana, no respeito e no belo que essa combinação permite. Enfim...
Novembro 2008
Alma Lux Photographia
Música de Fabrício Cordeiro, Projecto Moustache
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