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A história desta fotografia
01/08/2009
Fotografo debaixo de uma ponte. Já havia anos que os graffitis nas paredes me tinham chamado a atenção, pela luz que criavam, em conjunto com os reflexos da água do rio. Enquanto não comecei este projecto, estava receoso porque acreditava que, um dia, essas paredes seriam limpas. Quis fazer uma fotografia com dinâmica, registando a passagem apressada de uma senhora, vestida com a mesma cor verde dos graffitis. Também quis produzir esta fotografia numa altura em que, por intermédio de um fotógrafo português, se voltou a discutir o que é verdade e não é, em fotografia.
Questões técnicas
01/08/2009
Foi executada com DSLR, Nikon D700, tripé, lente Nikkor 24mm f/2.8D AF, exposição de 1/8s, a f/8. Resulta da sobreposição de 5 exposições sucessivas, co-localizadas, em pós-processamento. Teria sido o mesmo se utilizasse a sobreposição na própria máquina, acumulando 5 exposições num registo. Assim faço uso de flexibilidade, nunca corrompendo o fotografado, colocando ou retirando algo. O que foi registado através da lente, é o que aparece nesta fotografia final, nem menos. Sempre em correspondência a essa verdade, usou-se uma técnica fotográfica de antes da fotografia digital (máscaras), sobrepondo exposições para dar dinâmica. O arrasto da senhora é pela longa exposição. O pós-processamento não implica faltar à verdade.
Opinião crítica
01/08/2009
Apresenta uma composição forte, com linhas de força centralizando a atenção na parede de graffiti e na senhora em movimento. No entanto, o fundo não introduz monotonia. Pelo contrário, introduz um contraste no conteúdo e significado. É composto por um brilho de verde profundo, na água, acompanhado dos reflexos das vigas da ponte na superfície. A água, o seu verde e o peixe ajudam a mostrar outro mundo, mais orgânico e natural, leve e fluido do que o da ponte, mais pesado, geométrico e artificial. Os reflexos das vigas, em quase simetria com a ponte, dão ideia de força, como se houvesse pilares fortes a manter separados os dois planos. Ou juntos!
Onde a colocar
01/08/2009
Tendo sido registada com abertura ideal e ISO baixo (100), o registo foi na maior qualidade. Com todo o pormenor que tem e por ter sido registada numa DSLR equivalente a 35mm, a impressão em grande fica sempre mais limitada do que se fosse em película. Contudo, a riqueza de cor, texturas, linhas, composição e a combinação de exposições convida a uma presença grande num local, desde que haja uma distância mínima de visualização. Diria que o limite de tamanho estará nos 40cm x 60 cm, para ser vista a 1 metro. Para qualidade excepcional, o tamanho seria menor. Curiosamente, vejo esta fotografia urbana bem combinada com um pass-par-tout largo e creme. Numa moldura moderna, sim.
Agosto 2009
Alma Lux Photographia
Música de Fabrício Cordeiro, Projecto Moustache
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