A história desta fotografia
01/07/2013
"No fundo"
Com um amigo, tínhamos ido para o vale fundo do rio Sabor. O objetivo era, então, preparar um Workshop de Fotografia CAUSAS. Isto era em março, e estava-se a preparar um bom Workshop para o final de abril.
Subindo-se o vale, as nuvens azuis e roxas fazem parte de um mundo ainda com luz, mas já fraca. A outra metade era a escuridão, no fundo. Exceto para o que parecia ser um pequeno riacho de luz, no fundo - o reflexo do rio.
Este reflexo nunca mais será assim, quando a barragem fechar e o rio subir.

Questões técnicas
01/07/2013
Se houve um erro nesta fotografia, foi não ter usado o tripé. Não está tremida, mas podia ter reduzido o ISO, tendo finalmente usado um ISO de 6400. Felizmente a máquina tem pouco ruído, mas mesmo assim a fotografia final tem uma boa dose de ruído. A fotografia original, em RAW, tinha menos contraste, tendo também aumentado grandemente o nível de negros. A ideia foi justamente prosseguir uma fotografia low-key, escura, onde a única luz viesse quase só do céu e do rio. Apliquei também um filtro de densidade neutra graduado, em pós-processamento, escurecendo o céu 0.75ev e aumentando contraste, claridade e um pouco de saturação.
Embora haja ruído, a fotografia não escondeu as pequenas luzes no fundo do vale, tendo por isso mantido algum detalhe onde necessário. Usei medição matricial, tendo executado várias fotografias com exposições diferentes.

Opinião crítica
01/07/2013
O ruído presente na fotografia joga em seu favor, dando-lhe um aspeto visual denso e uma textura quase de aguarela nas nuvens. Não é, por isso, um problema. Pelo contrário. Os negros profundos também ajudaram a criar uma presença de ruído que se vê ser aproveitado intencionalmente. Trata-se de uma fotografia de extraordinária beleza e simplicidade, onde os negros preenchem 50%, sendo apenas cortados pelo detalhe que é o reflexo do rio. Também são visíveis as variadas camadas de montes, ao longo do vale, à distância.
O tons azuis e roxos do céu contribuem para um ambiente de final de algo, de perda e nostalgia da perda, neste caso do leito original de um rio. É uma fotografia de despedida, com uma carga emocional pesada.

Onde a colocar
01/07/2013
Embora na maioria das vezes vá para grandes impressões, estou a ver esta fotografia em pequena escala. Talvez como um pedaço de uma jóia preciosa, para ser valorizado pelo seu profundo valor intrínseco e não pela sua escala. O seu significado deve chegar ao observador pelo seu significado e não pela escala gráfica.
Coloque-a numa parede especial, onde pessoas especiais acedam. Bem iluminada, sempre.

Julho 2013
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Alma Lux Photographia
Música de Fabrício Cordeiro, Projecto Moustache
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