A história desta fotografia
01/07/2010
Estou a fotografar em Lisboa, para uma encomenda que veio de longe. Comecei desde cedo, com boa luz, na zona da Graça e de Alfama, para depois seguir para o Bairro Alto, desde o nível do rio. Sempre a pé, entrei no fundo do incrível Elevador da Bica. Deparei-me com o "Espectro" de Alexandre Farto, no âmbito do Projecto "Carris Arte em Movimento" - muitíssimo fotografável, demorei-me em toda a subida, até captando um auto-retrato quase abstracto, no meio dos graffiti, do piar dos pardais, da roupa a enxugar e de um rádio a tocar, vindo de uma janela, algures.
Aproveito o momento.

Questões técnicas
01/07/2010
Este é um exemplo de panning, com uma exposição relativamente longa (1/15s) e com uma distância focal de 12mm. Mas implicou uma execução mais difícil, porque estou apenas a 1 metro do eléctrico. A distância focal de 12mm ajuda-me a capturar um todo, desde o chão ao topo da cabine. Comprime à distância, dilata na proximidade. A distorção da lente e o panning rotativo resultam num arrasto mais óbvio na zona do chão, com traços em arco. Pela natureza da captura longa, os contrastes e cores foram realçados, indo buscar as cores próximas do que seria numa fotografia estática.
Opinião crítica
01/07/2010
Imaginemos que não sou "eu". À parte da originalidade que se espera num auto-retrato, de preferência com uma relação útil e justificável entre a estética e personalidade, a situação pede movimento. A frente do eléctrico é fundamental para identificá-lo. O topo não seria desejável, correndo o risco de incluir distratores de outras casas, no plano de fundo. Os ladrilhos reflectores cortam continuidades e distorcem o óbvio. Há ainda duas personagens na fotografia, quase invisíveis, humanizando mais o resultado. Simplicidade, corte, movimento e humanização eram quase obrigatórios, num auto-retrato que te insere ainda mais na "coisa".
Onde a colocar
01/07/2010
Onde colocar um auto-retrato? Imagine que é seu. Onde o veja todos os dias? Ou só no início do dia? Ou ao final do dia? Conviver com os seus pormenores, bons e maus, todos os dias? Claro que depende da fotografia, tal como da personalidade em causa. No meu caso, e muito embora não dê uma relevância exacerbada ao meu Ego, colocava-a num corredor com luz, num local de passagem. Desde o chão até ao tecto, cobrindo toda a parede. Este tipo de fotografia, sem exigência extrema de pormenor gráfico, aguentaria uma ampliação muito grande.
Mas, sejamos francos, um pouco de Ego, com transparência e auto-análise, fazem bem.

Julho 2010
Alma Lux Photographia
Música de Fabrício Cordeiro, Projecto Moustache
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